quarta-feira, 30 de maio de 2012

Três pensamentos elegantes





Tenho medo deste futuro que vocês tanto lutam. Esta justiça que tanto idealizam me parece o inferno na terra, mas para vocês parece um sonho angelical, o fim do arrependimento. Vocês são fracos perante os próprios remorsos, isso sim. O paraíso é chato pra diabo, e somos diabos humanos, admitam! Querem uma vida higienizada moralmente e socialmente, as maiores bestialidade aceitas não somente em complacência, mas aprovadas pelo código do Inmetro e preservadas pelo IBAMA. Marcha por uma tolerância quase perniciosa. Ecoa no meu ouvido o sábio conselho de Nelson Rodrigues, " com o senso comum não se fazem os grandes amores". Os vingadores hormônios da humanidade serão o seu próprio câncer.


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A liberdade social conquistada pela imposição humana vicia como o crack. Quanto mais se conquista a tolerância "Colgate", mais dela você precisa para ficar 'bem'. Mas você nunca ficará bem de verdade. Eu gosto da ideia de pecado, e não digo isso afirmando que sou um libertino. Gosto do pecado pois é ele que nos permite a ousadia da escolha. Sem pecado a vida seria um tédio, não teríamos dramas insolúveis e sábias comédias, apenas esquecíveis novelas mexicanas e pastelões bobos. Seríamos obrigados pela lógica a sermos todos ascetas, mas sem a densidade do asceta que lida no fundo de sua alma com as tensões existenciais. Deixo a purificação absoluta para a eternidade. Como humano, quero ter a opção de ser virtuoso ou pecador. Sem isso, todas as frutas se tornam igualmente aborrecidas. Quem tem medo e ojeriza pela ideia do pecado, confunde arrependimento (busca pela consciência do seu próprio ideal, uma atitude puramente filosófica) com remorso (auto-punição injusta, plantada no indivíduo por um autoritarismo irracional). É um ser mimado que busca fugir de suas assumidas responsabilidades, de seus cônscios deveres e das consequências de seus atos, interiores e exteriores. Quem busca fugir disso tudo, mente para si mesmo afirmando que não tem medo nem de Deus (seja ele qual for, mesmo aquele que 'não existe'), do Diabo (inclusive do Diabo-homem), e do absurdismo da Terra do Sol (e da Chuva, da Garoa, da Neve, etc). Não é verdade.


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Não acredito em amor poligâmico, pois amar é se dispor a uma egoísta servidão voluntária. Não sou contra quem pratica os amores múltiplos, mas sejamos sinceros, se ama sem querer se prender, planejar um futuro sólido, buscar com paixão em si mesmo a virtude da fidelidade, o amor é apenas fraterno. Não sendo este o caso da relação, possivelmente não é Amor, mas sim excitados colegas de putaria, ou um humano medo da solidão. Muito justo, mas não me venham com sentimentalismos.

domingo, 13 de maio de 2012

Método


Se vem ao pensamento
Na ida, na vinda
Na maior parte do tempo
Se não falares nada
Transforma em poesia