segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estupidez com diploma na parede.

É sempre estranho falar para as pessoas que estou em mais um curso universitário sendo que eu me considero antiacadêmico. Normalmente acham que isso é papo furado, que eu digo só para me gabar do meu suposto avanço no mundo do conhecimento, da tão desejada akadémeia, lugar aonde você abre os olhos, vive experiências novas, tem os melhores anos da tua vida. Babaquice! A academia hoje em dia, na maioria dos casos, é só uma linha de produção para te colocar no mercado de trabalho, pelo menos em nosso país. Pago uma rodada de suco para quem me provar ao contrário.
Faculdade, lugar bonito, você não mora mais com os pais, você tem a liberdade para estudar como e quando quiser, você pode até sair da sala para mijar sem precisar pedir para a professora. É uma evolução, pois ali você está para aprender, não para servir de escravo para satisfazer professores babacas que sabem mais do que você, ou pelo menos acham que sabem, certo? Então por quais motivos você continua servindo de escravo para satisfazer professores babacas que sabem mais do que você (ou pelo menos acham que sabem)?
No templo da mediocridade, mentes ocas são preenchidas de excertos de textos, nunca das obras originais, na integra. Aprendem a pensar pelas cloacas sujas dos professores, não por suas próprias mentes. O seu pensamento não vale nada, pois você ainda é um aluno, não tem a capacidade de um mestrando. Ops, nem um mestrando vale algo, pois ele não tem as capacidades de um doutorando, de um doutor, de um doutor com vários anos de experiência, de um doutor que escreveu um livro que ninguém leu (e ninguém se importa, a não ser na hora de dizer ‘ele escreveu um livro’).
Na universidade se aprende política, viva os movimentos estudantis. Novamente, babaquice! Barbudos reproduzindo ideias antigas, achando que mudam algo, não mudam nada. Quer mudar algo numa universidade? Pense por você mesmo. Ninguém precisa de macacos marxistas honrando bandeiras do DCE. Saiu da faculdade, tudo continua igual. E ali dentro, você está pois assim te permitiram. O poder vigente não gosta daquele que pode ser um contrapoder. O poder gera um poder contrário bem pouco nocivo para dar aparência de tolerância, de abertura de espírito, de grandeza de alma. Mas ele não tolera aquele que não gerou. Um verdadeiro saber é crítico. E não me venham dizer que é melhor fazer algo do que não fazer nada. Movimento estudantil é o mesmo que fazer nada. Fazer algo? Comece por você mesmo.
E começar por você mesmo também vale na hora de aprender. Sempre digo, o melhor da universidade contemporânea normalmente é a sua biblioteca. Autodidatismo é o melhor comprometimento com a sua formação. Sim, existem professores que mantém este comprometimento também. É preciso se recordar que o essencial se encontra na relação do professor com seu aluno. Existem também lugares sérios. Mas tenho medo sempre que passam a contar mais papéis do que ideias na hora de julgar alguém. Tenho medo de lugares aonde o que importa são notas, regras, moralidade transvestida de método de ensino, de exigências acadêmicas, de facilitações no aprendimento. De um lugar aonde são rígidos com as coisas erradas, e displicentes com o que realmente importa: o ensino, a aprendizagem, a pesquisa e a troca de informações e pontos de vista.
Onde a retórica é confundida com a vaidade do ‘eu acho, eu cobro, eu indico’.  Deveríamos buscar proporcionar um saber exigente ao maior número possível de pessoas, de todas as origens, sem distinção de classe, religião, sexo, idade, formação, poder aquisitivo ou nível intelectual. E, ao mesmo tempo, permitir a construção de si mesmo como pessoa livre, independente e autônoma. É para isso que foi criada a academia, não para formar máquinas que reproduzem conhecimentos simplificados de forma eficiente para melhor se apresentar no espetáculo que dirigem aqui fora.

2 comentários:

Enio disse...

Um Diploma não tem valor se a pessoa não usar o intelecto para saber discernir o caminho que deve seguir e buscar o conhecimento que necessita para viver no mundo de hoje. Se confiar só nos professores, será mais um "maria vai com as outras", sem opinião própria, e conhecimento limitado. A Universidade é um guia, ela nos mostra o cominho, mas a caminhada e conclusão é nossa, e não devemos nos apoiar em bengalas (professores).

@samambaia_ disse...

Belo texto, gosto quando rompes os dogmas e jogas a sujeira na cara de quem as fez. Lembrei-me de duas passagens:

Aprender sem pensar é tempo perdido. (Confúcio)

O professor só pode ensinar quando está disposto a aprender. (Janói Mamedes)