sábado, 1 de maio de 2010

Cello.


O homem senta, cello na posição, arco na mão, ambos prontos para deixarem os sons voarem. Lentamente as cordas são acariciadas pelo arco. Elas lamentam, vagarosamente e docemente excitadas. A mão toca o Cello, pressionando os pontos exatos para que ele gema de acordo com o que o músico planeja.

Deslizando os dedos para cima e para baixo, o cello explode em prazer, gritando em loucura à medida que o arco se move mais rápido, mais rápido... Não para de arranhar as cordas obscenamente. Uma delas arrebenta! Mas isso pouco importa, o cello nem ao menos sente. Continua soando belíssimamente aos ouvidos do músico. O êxtase erótico de tocar vai sobre todas as coisas.

Forte, mais forte, mais rápido... O cello está exausto... Todas as cordas estão rompidas agora... Nenhum som além do gerado pelo lascivo toque do exposto arco de madeira no corpo de carvalho do cello, desnudo de cordas.

Áspera madeira, lascas voando em um maníaco frenesi de luxúria.

Finalmente, serrado pela metade, o cello desfalece ao chão, morto combalido. Não mais gritantes Gavottes. Não mais pesarosas Sarabandes.

O pederasta está solitário, golpeando desesperadamente sua própria garganta com o arco, agora afiado e pontudo.

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