segunda-feira, 1 de março de 2010

Manifesto da Surr-Sub-Urgência Literária.


Escreva como quem cospe para cima, olhando os respingos cairem nos transeuntes, e levando o que restar na própria cara, transmutado em ouro.

Escreva como quem come uma buceta e propositalmente deixa o pau escapulir para o cu da moça.

Escreva como quem dança no centro uma canção mexicana vestido de africano, e falando em dialeto tupi-guaraná.

Escreva como quem anda rebolando uma bunda que não é sua, vomitando um pensamento que não é seu, chorando um amor que não te deu.

Escreva como quem come lentilhas no café da manhã, panquecas no almoço, e uma leve salada de pólvora no jantar.

Escreva como quem olha através do próprio umbigo, pois assim durante os saltos no trampolim da vida fica mais fácil de olhar por baixo da saia das garotas virgens.

Escreva como quem desistiu de escrever, e só quer aproveitar a água de coco e as sobras frescas.

Escreva como quem esqueça...

Esqueça! Foda-se sozinha, realidade. Renego-te! Prefiro transar com a outra, a vida, e a gozar.

E depois do ato, exijo o direito de escrever como quem escreve um conto erótico para um site vagabundo, para um leitor desatento achar as melhores partes e acabar de vez com a masturbação.

Escreva como quem descarta um lenço na pós-punheta.

Protesto textos descartáveis, só pela vida, pelo escrever, pelo expressar, a rebeldia no representar. Manifesto o texto que pulsa como a vida, e como a vida, sem créditos e pontuação, assim acaba

7 comentários:

Modorra Burlesca disse...

Salada de pólvora, emagrece?

fábio bocanegra. disse...

ou seja,

seja ator enquanto se é poeta.

fábio bocanegra. disse...

a segunda estrofe é genial

genio, genial. huahauuhahiahhahhaha

como eu falo isso.

será que tu vens em lampadas tbm?

Marc Balender disse...

ótimo mais uma vez cara

Eduardo Silveira disse...

sempre gosto quando aproximam o ato da escrita com o sexo. a escrita tem esse caráter sexual, ainda que muitos escrevam, como dizer, assexuadamente, rs.
e poesia? foder com as palavras.

Gabriel k. disse...

obsenidades!? Será que um dia teremos popularmente a obsenidade nas letras???

Chantal Garrett disse...

"Escreva como quem esqueça...

Esqueça! Foda-se sozinha, realidade. Renego-te! Prefiro transar com a outra, a vida, e a gozar."


O grande lance é fugir mesmo da realidade. Realidade é antônimo de vida.

Adorei o blog,

beijos