sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Toca do Coelho.


[é sobre desejo. e sobre estar sem encontrar limites dentro de minhas formas. é sobre medo da solidão. é sobre se notar solitário e essa é uma verdade. e sobre encarar o desejo como se fosse uma figura clara à sua frente. e sobre perceber que um dia na sacada com o vento frio batendo e aquela aura de veludo aquela pele que só pode ser sentida queimando dentro de mim mesmo. e sobre aquele momento ser o mais belo. e eu me sentir aquele momento sabendo que não chego nem aos pés do que esta outra alma já é. e sobre esta ser apenas uma das verdades da noite. eu já fui as estrelas e me vi como buda, dois momentos diferentes entre tantos outros que estão alternando, uns mais fortes, outros mais fracos. no final eu me componho destas múltiplas personalidades que vou expressando em ritmo mais acelerado que um Corvette vermelho pela madrugada. eu me sinto como um cantor de jazz querendo saltar pela janela e meus dentes disformes se enegrecem na madrugada e na armação de meus óculos blues. e já estou em volta de uma canção divertida. vou me deitar mais uma vez para ver até onde vou chegar!]

Depois de ler este ensaio insolubre sobre o nada, Truman Capote virou para a repórter que ali esperava uma resposta, e esta foi:

- Isso não é literatura. Não é nem ao menos datilografia, como acusei meu caro Kerouac. É delírio de um vagabundo que se acha mais um bêbado iluminado não pelo álcool que não tomou, mas pela existência que lhe foi dada sem perguntar, e esta o fascina, por que não?

E o mais engraçado nisso tudo é que sou eu redigindo isso, e sou eu sabendo que Capote e Kerouac e [ ]'s e até mesmo este 'eu' que agora me explicito, sabemos disso tudo. Estou sentado numa roda comigo mesmo e eu me encaro sobre os diversos ângulos dos outros 'eu''s me encarando. Eis o tal ciclo?





desisto!


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Um cérebro cansado bebe o sono em altas dosagens irremediáveis. Quando percebe está acordado novamente, em outro lugar, com outras companhias. É Morfeus que agora te regala com piadas infernais e um índio nu te fala das belezas do céu da tua mente.

Acorda.

...é um novo dia aqui no mundo?

2 comentários:

fábio bocanegra. disse...

é a roda de samsara,
também conhecido comboio de corda,
que gira a entreter a razão.


bela prosa poética.

as refêrencias desconxtualizadas são reviravoltas no pensamento original de um outro vagabundo. quem não é, sob os olhos de outrem?

bianco cunha disse...

boa cara. Como dito no comentário, as refer~encia utilizadas foram ótimas e a forma como foram colocadas melhor ainda