sábado, 2 de janeiro de 2010

Um deserto qualquer.


Por horas esqueço das formas que vão ao além na realidade. Nelas vejo apenas a mesma, o pó e somente a poeira desde deserto que estou. Viajante mas não solitário, abandonei meus medos e só o pó vejo há horas.
E estão escuto, ela ao meu lado suspira enquanto piso um pouco menos fundo. E ela ao fundo sonha. Se vejo os fragmentos do deserto, ela vê as areias de Morpheus, e pergunta:
- A quem eu devo?
Não deves a ninguém amor. Mas só penso. E ela só resona. Mais duas horas para a próxima cidade. Estamos na europa de nossas vidas, e o sol já logo nasce.
Ela treme. Éramos para o futuro apenas um escasso e estranho presente. Deveriamos estar sorrindo. De prêmio além da grana a liberdade, mas quem devine a liberdade? E então ela vai do fel ao pesadelo.
Paro o carro. A bela tem um susto em sua onírica face de quem adormece. Quero dar de presente para ela o meu toque e o sol. Me abaixo e beijo suas pálpebras. Para os egípcios os olhos eram a janela da alma. Para mim estes leves beijares se conjugam em forma de acalentadoras afeições, um acalmar para a sua alma irrequieta. Entro por estas janelas e aliso os arrepios do ser que tão belo me parece nela. Ela acorda.
Percebo, e ela sabe, por isso mesmo continua de olhos fechados, convite para a passagem do etéreo ao físico, deixo os olhos e beijo a boca, que estando ao contrário me vira os quereres. A quero e a tenho, mas não a mantenho. Espero que ela se mantenha em mim. Enquanto beijo os olhos cansado, abrem. Os dela e os do sol.
Pulo para fora do carro e dança na europa de nossas vidas. Ela me acompanha por certo tempo, mas logo cai sobre o capô. Caio junto e fecho os olhos. E então acordo em meus sonhos. Mais duas horas para a próxima cidade ela diz.

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