terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Toxicidades.


Me intoxico com as tristezas que me destinaram desde que foi decidido que eu seria parte do constante ciclo de dualistas que em suas certezas de terem vindo ao mundo para o salvar ficam se culpando pelos prazeres que não desistem de buscar.

Me intoxico com as lágrimas decorrentes de karma gerado pelas tenebres e angustiantes dúvidas que insisto em cultivar decorrentes das belezas que no coração de outra pessoa busco tentar me completar e mal sucedido nestes acasos constantes me interrogo se capaz de legar mesmo doce áurea de uma vida impoluta de fazer tudo que se exige a um homem fazer.

Me intoxico com as horas de pouco sono de pouco amores de muitas dores de muito jazz de pouco doce de muito amargo de desejoso ácido de cores cinzas de lembranças vívidas de prazer negados de sabores rejeitados de delusões de não estar aqui acompanhado.

Me intoxico tanto que não sei mais o que motiva meus olhos a ficarem vermelhos como estão agora refletidos em um espelho que não busco mais limpar já que esconder a minha face da verdade me parece uma alternativa tão bem vinda mas ao mesmo tempo sei que seria apenas falsidade e disso quero me resguardar.

Me intoxico com a vida que ainda mantenho dentro de mim enquanto saudo os diversos que como eu também sofreram e transformaram em poesias estes sofrimentos que reverberam em nossa existência como loucos fora dos hospícios oficializados por estes seres sãos que habitam as ruas e dominam o pensamento uno afirmando que somos legados a viver como zumbis e nos julgam pelos nossos sentimentos incertos.

Me intoxico com o vazio de minha alma que tenta preencher com um espírito selvagem resgatado do sangue de guerreiros do passado e de suas transmutantes representações de animais selvagens que uivam para exaltar os seus instintos misturadas ao raciocínio que no presente me causa todas estas fluições de agressões ao que no fundo acredito ser belo e verdadeiro.

Me intoxico com o ar que respiro em busca de uma vaga compreensão do que sou além destas palavras sem sentido que vomito fingindo estar contente ou triste ou fingindo que sinto alguma coisa além de algo que no momento só mais me intoxica mas espero que algum dia me leve em rumo de uma boa temperança.

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[Addendum ao texto original]

Me intoxico com desculpas pelos males causados.
Me intoxico com agradecimentos pelos momentos gerados.

3 comentários:

angela disse...

What's wrong with RIGHT NOW? If you don't think about it somehow!

AnnaVelosos disse...

Nossa, sem palavras....o.O

Luana Cabral disse...

Cante. Cante para o mar de sangue.
Desintoxica-se com seus glóbulos vermelhos.