domingo, 18 de outubro de 2009

Terceiro olho com vista para o mar.

 http://4.bp.blogspot.com/_lJNBT4buTZs/ScEdZr_SnlI/AAAAAAAAAOU/zPAcjnslsWQ/s400/yin-yang.jpg
Sou escravo do yin-yang. Este símbolo que se origina do Tao normalmente é confundido com um símbolo de paz, e não deixa de ser, mas explicarei de forma simplória o seu significado. Ele é a representação de duas forças complementares e ao mesmo tempo únicas, é a unidade, não há separação entre elas mesmo ambas sendo distintas entre si. Vivemos em movimento, constantes mutações, sendo que o Yang represente o lado masculino do homem, o lado quente, claro, brilhante, racional, e o Yin representa o lado feminino do homem, o lado frio, o lado noturno, escuro, sentimental. Vivemos em alternâncias e elevamos estes conceitos ao extremo gerando preconceitos tanto entre os humanos conservadores como os desviantes de moralidade. Mas deixando esta questão de lado, a postagem volta ao seu início onde me afirmo escravo do yin-yang. Diversas vezes fui acusado de ser arrogante. Diversas vezes fui acusado de ser irracional. O yin-yang demonstra isso com clareza, ele é a representação mais pura do homem, pois neste círculo temos os extremos em firme contato e dentro do ponto quase de final de cada um de nossos lados vemos o outro lado sempre presente. Quando somos pensadores de certa forma fica um questionamento latente dizendo se não deveríamos estar apenas existindo, e quando apenas existimos sempre acabamos em certo ponto buscando algum julgamento. Por qual motivo não posso doutrinar os animais como humanos? Por qual motivo não posso me masturbar em praça quando vejo uma mulher atraente? Estes extremos nunca serão alcançados em plenitude, pois sempre me conceituando na explicação, quando saio por aí com amigos ou sozinho, sem racionalizar as coisas, apenas vivendo e sentindo e amando, em dado momento estarei sentindo a falta do pensamento, e o quão correto é abandonar meus conhecimentos em prol da sabedoria existencial? E quando estou racionalizando e fazendo justiça a minha inteligência privilegiada em dado momento me sinto culpado e necessitado de parar de pensar e simplesmente existir, sinto falta do natural e do nada neste tudo de pensamentos. Palavras são malignas, mas isso quando pensamos nela, pois o mal e o bem são a mesma coisa em teoria, quem os define somos nós ao julgar ações e conceitos. Têm-se o dom de comunicar com palavras, então até que ponto é injusto ao nosso instinto fazer isso. E se temos o instinto por qual motivo precisamos a todo o momento estar vivendo em sintonia com palavras. O belo é arrogante com o não tão belo assim. O esperto é arrogante com o não tão esperto assim. O inteligente é arrogante com o não tão inteligente assim. O sábio é arrogante com o seu poder cerebral. E se formos escravos do cérebro? Será uma prova para alcançar o nirvana? O nirvana no yin-yang seria um ponto centro, onde não se depende mais da fruição da vida, e sim do existir neste meio. Mas o homem deve viver o caminho do homem, e enquanto homem nos tornamos dependentes desta fruição. A maior parte das pessoas não admite isso e por isso gosta de personagens lineares. Novelas fazem sucesso com o bem e o mal expostos claramente. A sociedade classifica o bem como a exclusão de todos os conceitos que acha desagradável para o seu ego. Somos apenas egoístas. Alguns admitem isso, mas na hora que são questionados se consideram diferentes. Ninguém é diferente, nossas personalidades são apenas formas de nos enganar e parecer mais justos, individualizados, e isso é o correto para a sociedade. Como o homem que quer se mostrar individual, pois acha que isso é superior, não enxerga que em qualquer caminho feito com o coração a superioridade é justamente o caminho contrário? Não deveríamos estar preocupados em nos tornar individuais e exclusivos, e sim todos a mesma coisa, mas uma mesma coisa mais justa, não uma mesma coisa estereotipada e forjada por padrões comportamentais que só fazem bem ao controle humano. Para ver como estamos já dominados por padrões e mensagens o descontrole é visto como errôneo. Perder o controle é algo que ninguém quer, então mudo o ângulo de visão da pergunta, queremos ser controlados? Ser você mesmo quando você não sabe o que é não passa de cair numa outra forma de controle, o controle do ego. Queremos ser controlados? Controlamos os outros diariamente e gostamos disso, e não há nada de errado nisso, mas quando fazemos pelo instinto, o problema é que a maior parte dos atos que pensamos ser instintivos na verdade já foram mimetizados para assim parecer e assim parecer bom. Como descobrir nosso cérebro dos conceitos que nos foram dados desde novos por diversas formas de domínio de nossa existência? Não temos como voltar à natureza selvagem, nem seria justo com o que evoluímos até hoje, mas não é nada mais justo também continuar como estamos agora. Voltando novamente ao escravo do yin-yang, afinal este texto disfarçado de questionamento ideológico por mais que tenha intenções além desta base, não se perde de ser uma expurgação de meus próprios dogmas. Alterno entre clarividências de espiritualidade com arrogâncias racionais. Enquanto inteligentes tenho inveja do meu lado sábio e enquanto sábio tenho inveja do meu lado inteligente. Seja aberto e admita isso, creio ser um passo importante para alcançar o seu centro. Enquanto isso vivemos um ensaio do caos e invertemos valores, nossa não-dualidade toma forma (de alguma forma) através da informação que flui pelas nossas cabeças, ao mesmo tempo em que negamos esta corrente e fazemos tudo para aumentar o tamanho de nosso falo. Somos os mais evoluídos, os mais inteligentes, temos tecnologia, mas ainda somos macacos, e não sabemos lidar com este contraste. A resposta está em algum lugar central a isso tudo, não tenho idéia de onde seja este centro, por isso continuo vivendo meu fluxo constante de arrogância e amor, racionalização e sentimentos, ego e sinceridade. Até mais, e obrigado pela preferência (e pelos peixes!).

5 comentários:

Modorra Burlesca disse...

Interessante o seu ponto de vista. Você é mais nietzschiano em várias abordagens... Eu teria partido pro entendimento do egocentrismo ao invés do egoísmo. Mas quem dispõe dessa ousadia, dessa atitude que muitos nietzschianos gostam de chamar de confronto genuíno, está com toda razão ao deslindá-la. Uma das visões mais ocidentais do yin-yang; Respalda a sua política de complemento, entretanto vamos recordar que Schopenhauer foi o filósofo pioneiro do orientalismo.

m*.ella disse...

de nada pela preferência.
sua sabedoria e "inteligência favorecidas" são mesmo bem interessantes...

mas sabe quando a pessoa tem alergia ao remédio pra alergias? então...

explica tudo, vai.
explica.

arrogantezinho de risada contida.

um beijo.

m*.ella disse...

digo, sua sabedoria e "inteligência privilegiadas".
my mistake.

Hipócrates disse...

BRAVO

Felipe Figma disse...

Hummmmmm.....

Muito estranho. Perder o controle tem a ver com ser controlado?

Quando você perde o controle, você perde o SEU controle e não o controle de outro sobre você. Essa é sua realidade sensivel e eu respeito isso. No entanto pessoas quando perdem o controle, elas cometem suicídios, homicídios. Ou mesmo elas perdem o controle e passam a ser controladas por outras coisas. Drogas. Pessoas. Ideais.

Suicídio é bom? A Vida é tão rara..pra que disperdiçar?

O homem se auto-intitula "homo sapiens sapiens". Tamanha é a arrogância do homem que uma só vez Sapiens não é o suficiente. Se fôssemos tão sapientes, porque ferimos o semelhante?

Quanto ao ato de natureza, ja foi um dia assim. Você poderia se masturbar em uma praça pública de Éfeso ou Antioquia de tempos atrás. O que faz esses valores perdurar até hoje vem das crenças, que atualmente, é o Cristianismo que de certa forma deixou suas marcas na sociedade, embora alguns valores sejam comuns de outras crenças também.

Sim, eu quero me controlar, para que ninguém o precise fazer. Quando eu estou em mim, eu sinto, penso, raciocínio e torno-me diferente dos animais pelas escolhas que tomo. Quando saio de mim, deixo de ser aquele que o Criador criou em toda sua sabedoria.


Valeu cara, bom texto, mas discordo dele.