sábado, 31 de outubro de 2009

c8h10n4o2 para viagem (canção noturna nº 17)



Um pouco de insegurança no meu cachimbo
E uma caixa de fósforos já queimados
Como farei para perfumar o ambiente?

Arranco minha pele com teus restos e queimo
Pois tal incenso não precisa de chamas para acender
Pois tal incenso já veio aceso da loja
Onde não se vendem sonhos muito menos ilusões

Óleos corporais, escamações noturnas.
Flâmulas temporais, tecidos rasgados, sujeira
Suor inexistente. Marcas de velhos acidentes, dentes
Pelos púbicos, líquido digestivo, cálculos renais

Retornando do banheiro pingo óleo diesel fracionado
Azeite resfriado, óleo de baleia, vampores em
Meu cachimbo que não se acenderá jamais

E olhos através da janela, as luzes me cegam, já é madrugada
O que aconteceu hoje não sei, perdi minhas memórias
Já é madrugada. Sem fósforos novos para me queimar
Cuspo moedas. Sem motivos para não mais estar, fecho os olhos
E quando abro novemente já é uma nova tarde e te pergunto...

Dormiu bem cabeça oca?

"I lit  a thin  green  candle, to make  you jealous of me. But the room just filled up with mosquitos, they heard that my body was free. Then I took the dust of a long sleepless night and I put it in your little shoe. And then I confess that I tortured the dress that you wore for the world to look through." - Leonard Cohen

3 comentários:

Thaís V. Manfrini disse...

A-ce-so, lindo.

Felipe Figma disse...

A julgar pelo povo que aqui comenta, eu devo ter sido o único a pesquisar pra entender que é a fórmula da cafeína. Menos mal. Hehehehe

Abraços, bem diferente o poema.

Rita disse...

A tua escrita toca-me. É linda