segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nas incertezas eu vos digo!


Se preocupam em nivelar, rotular, classificar, catalogar, generalizar, emprateleirar, demarcar...
Já tentei ser personagens, de Tin Tin ao amigo do Rin Tin Tin, tentei ser escritores mortos e artistas vivos, tentei a pose do Presley e o topete do Dean, nada funciona, desisti para aceitar o eu mesmo.
Agora só quero andar em frente, meus pés pedem que seja pisado um novo chão a cada segundo que passa. Se quiser vir comigo dou minha mão. Se tu cansar tens meus dedos. Mais um pouco sobram as unhas. Agora quando a estafa te cobre, sereno manto, vê este pavio que sai de mim? Toma ele para ti, segura forte, até onde conseguires. Deixe que ele estique, se alongue pelo chão que estou passando, mas não me abandona se sentir que teu caminho se faz belo do meu lado. Quando não tiver mais como, faz um fogo e queima a ponta deste mesmo pavio. Enquanto aceso estarás fisicamente comigo, e no final do dia, quando o fogo me alcançar, nossos espíritos sofrerão um amálgama, e onde estiveres sentirá o que eu sinto. Pulsaremos juntos como se no mesmo espaço fossemos vida, quebrando as leis da física, pois elas são fracas perto de nossas inquietações, dos sonhos, das aspirações e dos traços de rebeldes, de poetas, de desesperados neste mundo negro, aparentemente sem salvação. E quando a volta ao mundo eu der, voltarei a este ponto onde terás minha mão novamente, e também remédio para te curar. Seremos então a salvação, se não do universo, sim de nossas curtas existências (múltiplas, mesmo quando ritualizadas em unidades).
Tua vez de seguir em frente, não tenha medo e nem olhe para trás. Tenha certeza que estou segurando firme na ponta de teu vestido, se fraquejar esta certeza eu te perdôo. Peço então, fiques quieta, e sinta o calor que emano. Este calor será a prova de que sou diferente do usual. Tu que és diferente também, irá de momento assimilar o caos que surge desta nossa entropia. Sorva este calor do que em mim nunca apaga, deste corpo que serve como tocha para minha alma flamejante.

3 comentários:

T disse...

Se você fraquejar e puxar o vestido, tudo bem também, hahah... À sério, o importante além das delícias da devastação é isso, essa promessa de redenção.

in wonderland disse...

muito interessante o texto. :)

The Dancer disse...

perfeito!
não pude não pensar em Neruda quando ele diz: "senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

não sei nada sobre vc. porque escreve.por quem.pra que.
não sei nem se o compreendo da maneira que vc gostaria de ser compreendido
mas se de verdade desejar alguém que vá contigo, pegue em sua mão, se entregue, te sinta de verdade, funda-se contigo, nessa maneira real, autêntica e intensa...

estou aqui desejando que encontre.