quinta-feira, 4 de junho de 2009

agonia verborrágica.

"Você escreve bem mesmo quando resolve que a frase vai bater recordes de velocidade."
- Karin Y'


Quase deixei de escrever isso, pois está frio, pois eu estava deitado confortavelmente em meu sofá, pois amanhã eu tenho que trabalhar e já são 4 horas da madrugada. Mas eu estava ouvindo uma música que fez doer meu coração e me fez pensar e às vezes você passa por isso, sente algo, pensamentos vem a sua cabeça, e por conveniência você deixa eles passarem por ali. Qual a razão da gente pensar se é para ficar no conforto, no passar, deixar eles soltos, não expressar, não se abrir, não engolir eles. Qual a razão de sentir se não fazer disso importante. Eu coloquei tal música, pois queria lembrar algo, queria sentir, e quando sinto eu viro pro lado e durmo, pois sabe como é, está frio. Eu deveria estar dormindo já. Deveria por qual razão? Pois li que pouco sono me torna improdutivo, e torna mesmo, eu sei disso, já vivi dias que passaram por noites de pouco sono, e foi uma droga. Mas será assim amanhã? Se eu deixar passar, coisa que não estou fazendo, ninguém lerá isso. Será que pessoas deveriam estar lendo isso? Será que você deveria estar lendo isso? O que você está deixando de fazer para ler isso? Será que eu não deveria estar na minha cama agora? No meu sofá agora. Tenho duas opções, limpar a cama das tralhas que estão sobre ela, e dormir mais confortavelmente, ou continuar no meu sofá. Ou continuar aqui escrevendo. O que deveríamos fazer? Logo vamos morrer, sabemos disso, e tem gente por aí se preocupando com a salvação. Com a próxima vida. Eu acho que deveríamos nos preocupar em como vivemos. Você pode viver para o trabalho, assim terá dinheiro, terá um carro, fará sexo regularmente, mas não terá tempo para escrever, não terá tempo para tremer de frio, ou será que não estou tremendo de frio? Ou será que não terei trabalho, dinheiro, carro, sexo regularmente. Ou será que terei isso tudo? Terei coisas baseado no que eu decidir. Terei um baseado para fumar amanhã? Terei vontade de fumar um baseado amanhã? Meus pensamentos estão correndo e meus dedos digitando. Perdão se nada fizer sentido. Perdão nada, você que está lendo isso. Se não faz sentido e isso te incomoda, o problema é todo seu. Eu não pedi para você ler isso. Eu pedi para você ler isso. Eu deveria ter pedido para você ler isso? Eu deveria usar mais pontos de interrogação? Eu estou escrevendo corretamente? Pouco me importa isso, eu estou escrevendo, e isso é que importa. Eu estou escrevendo, pois eu ouvi uma música que eu coloquei para pensar em algo. Estou quis pensar em algo por qual motivo? Você já pensou nos seus motivos para viver? Você sabe que vai morrer, então que tal viver como você quer? Quer tal você viver com quem você quer? Que tal você rezar para quem você quer? Que tal deixar de rezar? Que tal você roubar um banco? Você pode roubar um banco, mesmo que esteja frio, e ao mesmo tempo você não queira sair da sua cama. Eu saio da minha cama para escrever isso. Eu não estava na minha cama, pois ela está cheia de livros. Eu queria estar com alguém agora. Eu queria estar ouvindo uma música para lembrar de alguém. Eu queria que fosse dia e que eu não estivesse com frio e que lá fora estivesse escuro. Está escuro lá fora. Eu queria estar na cama agora. Eu queria estar na cama agora com alguém. Eu queria não estar tremendo agora, ou que eu estivesse tremendo por causa do frio. Eu estou tremendo pois estou pensando e estou com medo de meus pensamentos e estou feliz com meus pensamentos e estou tremendo por causa dos meus pensamentos e estou com frio por causa dos meus pensamentos que me fizeram levantar da cama às 4 horas da madrugada neste dia frio nesta noite fria quem definiu que agora é noite quem deu esta palavra pouco importa, o que importa é que estou com frio pois eu penso e eu penso pois eu sinto e eu sinto pois eu vivo e eu vivo pois eu nasci e por nascer algum dia eu vou morrer e por isso quero viver como eu quero pois se terei que morrer do que adianta viver para os outros. Eu vou ser egoísta e vou viver para mim. Eu vou ser egoísta e querer que eles vivam por mim. Eu vou ser egoísta e vou amar a minha vida ao extremo. E vou amar você ao extremo. E vou odiar você ao extremo. E vou amar o meu sofá quente. E vou amar você no meu sofá quente. E vou ficar quente no meu sofá. E vou transar com o meu sofá. E não vou transar com o meu sofá, apesar de que poderia fazer isso. Você tem certeza que deveria estar lendo isso? Você não deveria estar dormindo pois tem trabalho amanhã. Você tem certeza que está digitando isso pois quer? Você tem certeza que está vivo? Voltei a ser eu mesmo, pensava ser meu computador, e quem disse que eu não sou o meu computador? Às vezes passo tanto tempo nele que me sinto sendo máquina e o corpo na frente dele sendo a diversão. Faz tempo que não passo tanto tempo no computador. Quero-te ver pelo computador. Quero você aqui para eu não precisar ser o computador e o corpo na frente do computador ser a diversão. Eu nem sei quem sou, será que estou pensando mesmo? Não estou pensando, estou digitando tudo o que vem na minha cabeça, e acho que isso não pode ser considerado pensamento. Deu vontade de escrever meu nome aqui, então lá vai, Ismael Alberto Schonhorst, poeta morto que vive as 4:19 da manhã em um quarto escuro digitando coisas enquanto poderia estar dormindo em vez de estar sabotando sua vida universitária faltando aula amanhã para ficar assistindo vídeos até tarde, estes vídeos que irá influenciar ele a escrever um texto. Como ele sabe que foi isso? Na verdade os vídeos não tiveram influência nenhuma. Ele não entendeu os vídeos. Ele apagou os vídeos com raiva, mas disfarçando, achando que entendeu. Ele entendeu os vídeos. Os vídeos não importam. Meu nome é Bill. Parece que isso tudo é uma colagem. Ele, eu, Bill, Ismael, monstro gigante do papel de parede do computador do trabalho, cara que não sei nunca se está feliz ou triste, eu apaguei algumas letras e reposicionei para fazer melhor sentido, queremos todos dizer apenas para você fazer algo por si mesmo enquanto há tempo. Viva com quem você acha que merece que te merece. Viva e deixe morrer eu li estes dias na internet. Estou deixando morrer ao tremer de frio. Estou com o corpo fragilizado. Estou com os pensamentos em constante expansão, necessidade, sinto algo, estou vomitando, estou tremendo, o que fazer para conquistar o que se quer. Eu quero estar bem amanhã para trabalhar, mesmo sabendo que vou dormir pouco, pois tive que escrever isso aqui, e não tive coragem de escrever o que queria, e agora não posso mais, pois daqui há poucas linhas, digo daqui a poucas palavras, digo daqui a poucas letras, vai acabar o espaço em branco neste documento que digito. Acho que é o f

4 comentários:

SAMAMBAIA disse...

Entendo mas não compreendo. Eu sei o que é isso, ou não sei? Sei que vivo, ou pelo menos penso viver. Pensamento, ideias, palavras, elas obrigatoriamente devem ter sentido? Eu não vejo sentido em muitas coisas e elas existem. Certo ou errado, com ou sem sentido eu também escrevo, assim acho que vivo, ou não?

@samambaia_

T disse...

Hmm, frio me faz querer romances burgueses, tal.

m*.ella Marcella. disse...

lindo.
o texto.
gastar a vida é usá-la ou não usá-la?
o que, exatamente, eu estou querendo saber?
boa noite, cinderela.

bjos.

Diego Moreau disse...

Belo texto, exercício, desabafo ou seja-lá-o-que-te-deu-na-telha.