domingo, 24 de maio de 2009

por trás.


Andava ele pela rua, e no canto do
Olho passa uma imagem. Uma redoma de
Vidro. Lá dentro pessoas se divertem
Ela se diverte lá dentro
Dança sozinha, no centro, ele observa
Aproveita que as paredes do cubo são transparentes

Caras e caras a cercam, e dançam
Ele não vê mais nada, só zangões
A rainha está protegida
Mas não ficará assim, ele se aproxima
Cola o rosto no vidro para furar o esquema
Procura, procura, procura, cola mais próximo
E sente algo em suas costas, no lado esquerdo

Bang!
Cair para trás é a resposta ao tiro
Seu coração literalmentexplode. Sua mente explode
Os olhos percebem que foi ela que atirou
Quebre meu corpo. Ela soca e quebra.
Pegue meus ossos. Ela pega um por um, enche um saco

A distribuição dos ossos. Ela dá um para cada homem
No salão todos apreciam os restos dele
Todos dão risadas, é assim que mostram sua importância
Sempre foi bobo da corte, agora é só bobo para a corte
Quem mandou andar pela rua. Quem mandou acreditar
Ele morre como sempre desejou, mas não de amor como desejou
Mas sorria, pelas mãos, e cano, e pólvora de quem
sempre desejou. Mata-me de tristeza, dança no meio do salão

3 comentários:

T disse...

Lindo. Dançar é transcender, sem a morte; Com a morte ao lado tudo fica muito mais denso.

m*.ella disse...

texto bem lindo.
parabéns.

feliz aniversário.
envelheça na cidade.

Anônimo disse...

Oi Fly! Passarei a frequentar esse teu cantinho. Olhando assim por cima, ja gostei do primeiro texto.
Abraço!
Sergio Calderaro.