domingo, 31 de maio de 2009

Carta do Editor "Desculpas & Mulheres"

Estou tentando apresentar para vocês conteúdo inédito, escrito por um cara com o mesmo codinome que eu, ou seja, eu mesmo. Mas as vezes (certo que quase sempre) eu deixo ali arquivado, para deletar mais tarde. Como todos já sabem e alguns puderam comprovar depois da descrença, o que eu escrevo de bom fica em cadernos, pegando poeira na estante, jogados em caixas, perdidos, emprestados...
...de minhas coisas interessantes tenho orgulho, e ciúmes. Com uma puta pretensão imagino que algum dia vão achar por aí, quando eu já estiver morto, e compilar em alguma livro. Ou isso tudo é apenas desculpa para não levar este blog a sério. Mas o que importa? Vocês realmente querem ler coisas minhas? Não será hoje. Mais uma vez copio algo de outro lugar, este muito mais bem gerenciado, atualizado, mas não por isso melhor que o Nem Cult | Nem Pop. Diferente apenas. Gosto de divulgar textos dos outros pois sei que as pessoas ficam de preconceito por aí com conteúdo nacional inédito. Juro que muitas coisas excelentes que ando lendo foram escritas por pessoas como eu, você, e ei! você! deverias estar escrevendo coisas para eu ler e retransmitir aqui. E depois eu posto algo meu, para tu retransmitir em teu blog. Que tal? Fica assim o incentivo para novos possíveis esperados escritores desta rede chamada internet. Mas agora, depois de tanto enrolação, vamos aos textos que retirei do blog Vagabundos Iluminados. Não é algo com muita qualidade, o resto do blog tem coisas excelentes que superam fortemente isso que selecionei, mas é fato que não o fiz sem propósito. Gostei da mensagem que vem com estas palavras ordenadas em frases ordenadas em puro amor pelo que somos e quem elas são. Qual a graça de não sentir a face como vulcão quando perto de alguém? De não ficar com medo do falar. Da facilidade em desvendar a pessoa? Gosto de mulheres inteligentes que me façam tremer só de pensar na força que significa para o universo a existência das tais. Digo já que torço para que mais vagabundas iluminadas apareçam por aí, afinal, não é por sermos poetas esquizofrênicos que não precisamos de amor e colo quente nas madrugadas de inverno. Certo leitores? Se inspirem, escrevam, me avisem, eu divulgo vocês.

(os textos foram selecionados, mas não quer dizer que sejam reproduções do que penso. a todos os individuais que lerem o que vem a seguir, gostando ou não gostando, não me amem nem me odeiem. deixem para julgar algo após falar comigo e assim verdadeiramente saber o que penso. aviso isso pois em outras vezes que postei algo de não autoria minha, acabaram já achando que podiam responder diretamente a mim. obrigado.)

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Mulheres de Verdade

Há quem diga que os Vagabundos Iluminados são machistas.

Ora, essa declaração só pode vir de alguém com, digamos, pouca capacidade de entender as coisas. Pessoas inteligentes entendem que esse blog, muito pelo contrário, tem por finalidade exaltar as mulheres, mas as mulheres de verdade, e não essas bonecas de plástico que vemos por aí. Sinceramente, eu diria até que esse blog é feminista: um espaço de luta contra o maniqueísmo com que as mulheres são tratadas atualmente.

No entanto, pode parecer às vezes, e mesmo às pessoas inteligentes, que nossa definição de “mulher de verdade” não seja muito clara. E, de fato, não o é, tampouco para nós: cada Vagabundo tem a sua definição de “mulher de verdade”, sua imagem preferida que vem à mente sempre que se sente só numa noite de domingo, à frente de um copo de vinho, ou diante de um livro de Kerouac.

Parece consenso entre todos os Vagabundos, porém, por exemplo, que uma mulher de verdade deva ser inteligente. Esse papo de que homem gosta de mulher burra é uma besteira! Ou melhor, é verdade, mas sob uma pequena condição: homens burros gostam de mulheres burras. Às vezes, prezada leitora, e é bom avisar, os homens burros lhes tratam como se todas vocês, sem as honrosas exceções, fossem burras (e, confessemos, cá entre nós, que às vezes também é isso que vocês querem, mas, enfim, deixemos isso para uma outra ocasião). Então, a você, prezada leitora, talvez seja conveniente tratar um pouco também das características do homem burro: o homem burro, por exemplo, gosta de axé e de micaretas (aliás, para um Vagabundo Iluminado, gostar de axé e micaretas é a definição de burrice), de música sertaneja, de MPB, de samba e de coisas do tipo Los Hermanos; se emociona com telenovelas; não bebe; não cospe; prefere comer uma mulher olhando-a nos olhos que a pondo de quatro; não fala palavrões; e, o pior de tudo, geralmente têm facilidade em iniciar conversas com vocês. Portanto, se um dia, prezada leitora, tu conheceres um homem assim, trata-se, na verdade, de um homem burro; e se ele está interessado em ti, é porque tu és, no mínimo aparentemente, uma mulher burra também.

Para um Vagabundo Iluminado, seguindo a definição, uma mulher de verdade igualmente não tem neuroses com a aparência. Calma, querida, não é isso: sabemos, sim, e bem, avaliar a beleza de uma mulher, e gostamos que vocês se cuidem, sejam cheirosas e fogosas. O que não suportamos é aquele cabelo queimado de chapinha, aquela pele laranja de sol, aquela cara dura de maquiagem, e aquelas frescuras todas de não-me-toques. A mulher de verdade sabe que é bela naturalmente, sabe valorizar seu charme, e entende que um Vagabundo Iluminado é capaz de reconhecê-la assim, fazendo disso sua maior arma de sedução.

Um dia, imaginem, leitores, uma dessas pessoinhas medíocres que tanto nos cercam me perguntou se, a desdém das minhas opiniões, eu costumava bater punheta para as Xeilas da vida ou para uma das minhas tais “mulheres de verdade”. Ora, respondi, é lógico que para as Xeilas da vida. E sabem por quê? Porque, para um Vagabundo Iluminado, as Xeilas servem para isso mesmo: bater punheta, dar com o tico na cara, meter uns tapas na bunda e, no dia seguinte, comentar sobre isso com os amigos. A mulher de verdade, por sua vez, é aquela que admiramos, que respeitamos, a quem levamos flores, em quem queremos aconchegar nossa cabeça por entre os seios em noite frias, com quem queremos andar de mãos dadas pela rua, e com quem queremos ter noites e mais noites de amor de verdade - como merecem elas, e nós.

Porque a mulher de verdade não se define somente em algumas características. A mulher de verdade são nomes e personagens: Clarice Lispector é mulher de verdade; Cat Power é mulher de verdade; Elis Regina é mulher de verdade; Rosa Luxemburgo; Janis Joplin; Rita Lee; e outras tantas conhecidas e anônimas que vemos por aí, correndo com seus tênis simples pelas ruas, com seus livros embaixo do braço, suas peles brancas com bochechas rosadas, seus cabelos crespos, suas pernas finas, seus olhos profundos, seus pensamentos distantes, e tudo o mais que compõe a mais intensa beleza de um ser, que é a beleza das mulheres.

Essas, sim, mulheres de verdade.

Pelo surgimento de "Vagabundas Iluminadas"

Nós, Vagabundos Iluminados, temos orgulho de nossa vagabundagem. Não damos à palavra "vagabundo" a carga negativa que lhe é atribuída pelos moralistas - aliás, considero esse tipo de gente o que de pior existe na sociedade.

Agora, e se surgissem "Vagabundas Iluminadas"? Sim, um grupo de mulheres, que seguisse a mesma filosofia e resolvesse adotar a mesma denominação que nós, só que no feminino. Seriam bem-vistas? Sofreriam preconceito até mesmo por quem defende a vagabundagem?

Pois isso revela o quão forte é a dominação masculina na sociedade. Afinal, "vagabunda" não é o feminino de "vagabundo". A mulher que tem rótulo de "vagabunda" é a que sai com vários homens - só que o cara que faz o mesmo com várias mulheres não é visto negativamente, é "garanhão" ou "matador".

Por isso, cabe a nós, Vagabundos Iluminados, fazermos a nossa parte, não chamando de "vagabunda" a mulher que "pula de galho em galho". Em primeiro lugar, para que uma Vagabunda Iluminada não sinta vergonha de se assumir como tal. Em segundo lugar, porque se a mulher quiser, pode sair com quantos caras quiser, isso não é da nossa conta - e colocar rótulo nas pessoas por causa de costumes é coisa de moralista. E em terceiro lugar, porque o uso errado do termo "vagabunda" reforça ainda mais a posição dos malditos moralistas.

Ainda mais que vagabundagem, como bem sabemos, não é ir pra "balada" (êta palavrinha asquerosa!) beijar trinta numa noite e não saber o nome de nenhuma - até porque naquele ambiente totalmente insalubre, é impossível conversar com alguém sem ser GRITANDO. O Juremir disse na crônica que "estamos mais livres, e também mais volúveis", e eu acho que essa é uma falsa liberdade. Afinal, são trinta pessoas pelas quais não se tem nada de afinidade, "pega-se" apenas para mostrar aos outros, caso contrário o que "pega" é o rótulo de "perdedor" - para o qual o vagabundo de verdade não dá a mínima.

Um exemplo de verdadeira vagabundagem é passar boa parte da noite - se não toda ela - tomando cerveja, de bar em bar. Chegar em casa, esquecer que é madrugada de sexta-feira e ligar pro amigo que acredita na balela de que "o trabalho dignifica o homem" (acreditou no papinho dos moralistas, então é bem-feito!). E terminar ouvindo Wander Wildner.

3 comentários:

T disse...

Toda liberdade é falsa; Inclusive a minha de advogar por isso e tal.

Thays Costa disse...

Mulheres de verdade é difícil de encontrar. Vê por aí, várias, inúmeras, "bonecas de papel" como vc mesmo disse. E porque isso? Porque é tão difícil encontrar alguém que faça valer a pena todos seus segundos junto a ela? O problema não está no coração, e sim na cabeça. No preconceito que temos nos defeitos que arranjamos aos outros, sem ao menos enxergar que temos mais defeitos do que pensamos.

Os textos são lindos, Fly.

Smack =*

Mila disse...

Percebo uma grande deficiência não apenas em “mulheres de verdade” e sim em “pessoas de verdade”. Homens e mulheres pensantes. Que se respeitem, sem mediocridades. Que sejam espontâneos, naturais. Se algumas mulheres “se montam” é porque existem homens que aprovam isto. É um ciclo vicioso. Cabe a nós, saber filtrar e selecionar as relações. Sem julgar é claro. Até mesmo porque seria perda de tempo, pois estes homens e mulheres não teriam capacidade de entender.