terça-feira, 18 de setembro de 2007

Saber pra quê?

Continuando a divulgação de coisas que encontro pela internet, e acho que todos deveriam conhecer, uma ótima divagação do blog Pergaminhos, Palimpsestos & Alfarrábios. Boa leitura!

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Já faz alguns anos que não consigo esquecer desse professor que tive na pós-graduação. Meia-idade, consultor de empresas, sucesso na carreira acadêmica e profissional. Com dinheiro suficiente pra não fazer mais porra nenhuma da vida, mas dando aula por gosto (ou vaidade). Em uma de suas aulas de Planejamento Estratégico, do nada ele interrompe sua apresentação de powerpoint, metodicamente planejada para 50 minutos, e resolve desorganizar a aula toda. Desliga o projetor e senta na mesa para falar sobre o assunto “pra que serve estudar”.

Foi muito estranho. Foi como se ele tivesse encarnado alguma entidade.

Mas ele falou uma coisa importante. Depois de discorrer sobre toda sua formação, especializações, mestrados, doutorados e post-docs no exterior, ele disse algo assim: “Descobri que estudar, mas estudar muito mesmo, na verdade não serve pra muita coisa. Na melhor das hipóteses, serve pra mapear de forma mais precisa o tamanho de sua ignorância. Serve pra você saber o quanto você não sabe".

Forte isso. Forte e verdadeiro. Pra mim fez sentido.

Qualquer um que já buscou saber mais e mais sobre um assunto ou tema específico, eventualmente descobre que sabe cada vez menos sobre o referido tema, e que a busca é sempre infrutífera, pois saber todo o possível sobre um assunto é, na verdade, querer as chaves do universo. A busca do saber parece ser na verdade a busca pela ignorância; ao invés de aprender algo novo, você acaba descobrindo o quanto você NÃO sabe. O saber é o véu de Maya, é uma ilusão.

Suponho que qualquer um que já tenha sentido isso tenha um telencéfalo suficientemente desenvolvido pra perceber que a busca do saber não leva a porra nenhuma. Não se requer um alto grau de genialidade pra perceber que saber não traz alegria nem felicidade. Acredito que essa idéia é amplamente apoiada pela “sabedoria” popular, através de frases sínteses como:

“O que os olhos não vêem o coração não sente”
“A pensar morreu um burro” (genial)
“Mais vale burro vivo que sábio morto”
“Nem todas as verdades se dizem”
“O corno é sempre o último a saber”
Ignorance is bliss

Entre outras.

Então gostaria de deixar a pergunta que não quer calar:

Por que diabos malditos
filhos de uma cadela
gostamos tanto de ficar cutucando nossa ignorância
e descobrir o verdadeiro tamanho dela?

Rimou.

Atillah.

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